Depois das medalhas no Odesur, Júlio Mattos fala sobre o desafio brasileiro no Torneio dos Campeões

O carioca bateu um papo exclusivo com o Portal do Boliche. Ele, William, Roberta e Jacque defenderão o Brasil na competição continental na Costa Rica

Júlio, Maria Júlia, Duda e Alice com as premiações do Odesur / Crédito: Arquivo Pessoal

Da Redação do PDB

O Brasil inicia nessa segunda-feira, na fase de duplas masculinas, sua caminhada no Torneio dos Campeões Pan-Americanos, disputado em San José, na Costa Rica, até o dia 31. Um de nossos representantes, Júlio Mattos chegou à competição com sentimentos bem diferentes daqueles que sentia antes dos Jogos Sul-Americanos (Odesur), quando conseguiu suas duas primeiras medalhas pelo Brasil: a prata em duplas com William Hideki e o bronze no Individual.

Em meio aos últimos momentos antes de viajar para a Costa Rica, Júlio explicou ao PDB, em meio ao chamego com as filhas Alice e Maria Júlia – cada um devidamente premiada com uma felpuda capivarinha recebida no pódio na Argentina – e a esposa, a bolicheira Duda Petersen, como os sentimentos de hoje são diferentes para o novo desafio.

– Cara, é muita diferença. Ali era a pressão de classificar o Brasil pro Pan e isso passou. Agora, é um campeonato para a gente ir se desenvolvendo, aprendendo cada vez mais e enfrentando rivais do âmbito panamericano. Isso é mais tranquilo. A responsabilidade não aumenta, ela muda de perfil quando você ganha uma medalha. Mas representar o Brasil fora é e sempre será uma responsabilidade imensa – explicou.

Na Costa Rica, o Brasil enfrentará outros 12 países, inclusive os norte-americano, habitualmente favoritos. O sarrafo é naturalmente mais alto e outros obstáculos se apresentam para ele e William na disputa.

– É mais difícil, sim. Vamos enfrentar países do continente todo e a gente vai começar a entrar num eixo de atletas que vivem e frequentam os Estados Unidos o tempo todo. Há atletas da PBA e de outros países da América Latina que vivem lá. Faz parte do processo. Isso será importante pra ver como estamos em relação aos outros, como estamos em relação ao resto do continente – avaliou, antes de um análise do estágio em que o Brasil se encontra para as disputas pan-americanas:

– Acho que a gente tem muita qualidade de alguns jogadores, que tem capacidade de enfrentar grandes desafios. A internet tem ajudado muito a gente a ter informação, saber como andam as coisas por lá; acho que o que nos faz mais falta é ter mais confrontos, participar de mais campeonatos e ter mais tempo com os rivais que só encontramos em campeonatos internacionais.

É fato que nem sempre o talento basta, mas é igualmente fácil de perceber como a parceria de Júlio e William deu match. O bom entendimento entre eles é visível a olho nu e o bom diálogo amplia as valências de cada um. Coisa de quem não se conheceu ontem.

– A gente se conhece desde pequeno, desde a época do Planet. Eu ia ainda ver meu pai jogar e ele já jogava enfrentando uma galera – relembrou Júlio, descrevendo como os dois se complementam:

– A gente conversa praticamente todo dia sobre os campeonatos, falamos de aspectos técnicos, nossas diferenças técnicas – tilt, rotation, velocidade, possibilidade de mudar de saque – e o que a gente acha que pode contribuir no jogo do outro. William tem uma capacidade de jogar com a mesma bola por mais tempo, eu já tenho mas o perfil de escolher a melhor bola para aquele momento. Ele avisa que a essa a bola tá ficando ruim, eu já penso em mudar. Eu falo pra ele que o saque tal não tá rendendo e a gente vai indo. Gosto muito de jogar com ele.

William e Júlio antes da estreia na Costa Rica / Crédito: Lúcia Vieira

Naturalmente, a dupla está bem cotada para representar o Brasil no Pan de Lima. Contudo, mesmo sem a certeza de participar, Júlio já mira pontos a evoluir para uma possível participação em terras peruanas.

– Independente de ser convocado ou não é a parte física, posso ganhar mais estabilidade física e já estou trabalhando nisso. Do jogo em si, melhorar leitura de pista, algumas posições de saque, saber aumentar o tilt em algumas situações, que é baixo em certas situações e faz a bola rolar cedo. Tenho trabalhado isso, especialmente para quando acaba a cabeceira e a bola precisa ganhar mais distância.

O momento é especial também pelo retorno às pistas de alguém muito especial. Rogério Mattos, o Rogerão, figura querida do boliche carioca e nacional, está novamente na ativa depois de alguns problemas de saúde.

– Muito bom ter meu pai jogando de novo. Baita tempo fora, cirurgia no coração… Gosto de ver ele jogar, apesar de ser teimoso e achar que sempre o problema está da linha de falta para trás, mas as vezes está com a bola errada ou fez alguma escolha ruim. Tá começando a entender que às vezes o boliche é menos físico e mais teórico.

Na volta da Costa Rica, Júlio ainda terá uma tarefa: buscar o único título nacional que ainda não tem, que é o do Brasileiro de Seleções.

– É possível buscar esse ano. A questão é jogar em equipe e contribuirmos uns com os os outros. Tem algumas times muito fortes que estarão aqui. Davizinho (David Barata Filho) fará falta. É difícil, sim, mas temos chances.

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